Nova espécie de cão-urso é identificada na Espanha após 16 milhões de anos enterrada em fósseis

Batizado de Paludocyon moyasolai, o predador viveu em pântanos há 16 milhões de anos e revela detalhes inéditos sobre a evolução dos anficiônidos



Nova espécie de cão-urso é identificada na Espanha após 16 milhões de anos enterrada em fósseis

Reconstrução artística do cão-urso Paludocyon moyasolai do Mioceno | Imagem ilustrativa

Um crânio comprimido e um único dente guardavam um segredo de 16 milhões de anos. Pesquisadores identificaram um novo cão-urso na Espanha e o nome dele engana quase todo mundo que ouve pela primeira vez.

O predador que não era nem cão, nem urso

Cão-urso é o nome popular dos anficiônidos, grupo extinto de mamíferos carnívoros sem parentesco direto com cães ou ursos atuais. O termo existe só pela aparência do animal, não por uma relação genética real.

Os anficiônidos viveram em várias partes do planeta durante o Cenozoico. Sua aparência lembrava um cruzamento entre as duas famílias que conhecemos hoje, daí o apelido que ficou popular.

Como os fósseis revelaram a nova espécie

A nova espécie foi identificada a partir de um crânio comprimido com boa parte da dentição preservada, além de um molar inferior isolado. Pesquisadores compararam esses fósseis com carnívoros já catalogados na Europa e na América do Norte.

Na prática, o detalhe que costuma passar despercebido é que um único molar isolado já basta para sustentar a descrição de uma espécie nova, desde que a comparação anatômica seja rigorosa.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Paludocyon moyasolai. As diferenças encontradas foram suficientes para confirmar uma espécie desconhecida até então.

O que os dentes contam sobre esse animal

Os molares do Paludocyon moyasolai têm proporções incomuns. O segundo molar superior é mais largo que o primeiro, e o terceiro é relativamente grande, combinação nunca registrada em outra espécie do gênero.

Esse tipo de detalhe não é apenas curiosidade. Na paleontologia, a forma dos dentes indica dieta e hábitos.

Nesse caso, os pesquisadores acreditam que o animal era um predador de porte médio, mais ágil que outros anficiônidos maiores, e capaz de consumir carne e partes resistentes das presas.

Nova espécie de cão-urso é identificada na Espanha após 16 milhões de anos enterrada em fósseis

Crânio fossilizado da nova espécie de cão-urso encontrada na Espanha | Imagem ilustrativa

O sítio de Els Casots e o ecossistema do Mioceno

Els Casots, em Subirats, na bacia de Vallès-Penedès, preserva milhares de fósseis de um antigo ambiente de lagos e áreas úmidas. O local guarda restos de mamíferos, répteis e outros carnívoros primitivos de 16 milhões de anos atrás.

Ao comparar sítios como Els Casots com outros do Mioceno europeu, o que chama atenção é a raridade de lugares que preservam tanto a fauna quanto a paisagem completa da época.

Esse ecossistema reunia pequenos herbívoros, felinos primitivos, mustelídeos e crocodilos de pequeno porte, um retrato bem diferente da Catalunha atual.

Um nome que carrega dois significados

Paludocyon significa “cão dos pântanos”, referência direta ao ambiente onde o animal viveu. Já moyasolai homenageia o paleontólogo catalão Salvador Moyà-Solà, responsável pelas primeiras escavações em Els Casots.

Cada fóssil novo reescreve um pedaço da paisagem que existiu muito antes de qualquer ser humano pisar ali. O Paludocyon moyasolai acabou de garantir seu lugar nesse quebra-cabeça.


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